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  ATAQUES NA SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA E PRISÃO DE BOLSONARO: UM NOVO PATAMAR DE EXTREMISMO E RISCO POLÍTICO PARA AS ELEIÇÕES DE 2026 João Francisco Severo Santos, PhD*   Introdução Na véspera do Dia da Consciência Negra de 2025, o deputado Renato Freitas — em um contexto já marcado por ameaças, discursos de ódio e tentativas anteriores de cassação — foi flagrado em uma briga de rua, cujo contexto e motivações permanecem nebulosas. Contudo, o episódio escancarou o alvo preferencial do extremismo brasileiro: vozes negras que ocupam o espaço institucional. Menos de 78 Horas depois, a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, elevou imediatamente a temperatura do ambiente político e redesenhou o tabuleiro da radicalização digital. Meu olhar treinado por mais de 22 anos em análises de pesquisas conjunturais enxerga um contexto que vai além de apenas “mais um capítulo da polarização”. A combinação de um líder da extrema direita preso, uma base ressentida e organizada nas r...
O racismo e o inconsciente:   o que a psicanálise ainda tem a dizer                                                                                        Por: João Francisco Severo-Santos*   Por que falar de racismo com Freud e Lacan hoje?   Em 1938, já velho e doente, Sigmund Freud foi obrigado a fugir de Viena por ser judeu, diante da ascensão nazista. O pai da psicanálise tornou ‑ se, ele próprio, alvo do antissemitismo – uma forma específica de racismo dirigida aos judeus. Décadas depois, Jacques Lacan, retomando e atualizando a psicaná...
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O mal-estar que molda nossa era política e emocional. Por: João Francisco Severo-Santos Vivemos em um tempo curioso: nunca tivemos tanto acesso à informação, à conexão e às promessas de liberdade, mas parece que nunca estivemos tão exaustos, agressivos e inseguros. O sofrimento, que antes se expressava em crises íntimas, hoje se move como uma onda coletiva que atravessa as redes, as casas e as conversas. Ansiedade, depressão, raiva constante, medo do outro e um cansaço que parece não ter fim, tornaram-se o pano de fundo emocional da contemporaneidade. A pergunta inevitável, e cada vez mais frequente, é: por que, mesmo com condições de vida melhores do que a dos nossos antepassados, ainda sofremos tanto? A resposta, ou ao menos uma parte dela, está no diálogo entre psicologia e política — duas áreas que interagem no modo como organizamos nossa vida pessoal e coletiva. O sofrimento não é somente psíquico, também se reflete na atividade política; e o mal-estar do indivíduo configura uma e...